A líder do PCdoB na Câmara dos Deputados, Perpétua Almeida (AC), defendeu que o Congresso Nacional abra imediatamente o processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro, pela condução desastrada que ele tem feito da pandemia do novo coronavírus. Na terça-feira (10/11), em comentário em sua conta no Facebook, Bolsonaro classificou a interrupção dos testes da vacina CoronaVac pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como uma vitória pessoal.
“Mais uma que o Jair Bolsonaro ganha”, disse o presidente ao responder um seguidor que perguntava sobre as ações do governo na pesquisa sobre medicamentos para a Covid-19. Para a líder do PCdoB, deputada Perpétua Almeida, a declaração de Bolsonaro é “muito grave”, e, caso seja identificada motivação política ou ideológica para a suspensão dos testes da CoronaVac, o Congresso deve agir.
Perpétua também pediu uma ação contra o presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, que estaria permitindo a politização das atividades da agência, em um período delicado. “O Congresso tem duas providências imediatas a tomar: cassar o mandato do presidente da Anvisa e abrir o processo de impeachment contra Bolsonaro”, declarou a líder do PCdoB.
Já são 56 pedidos de impeachment contra Bolsonaro na Câmara, mas até agora nenhum processo foi aberto pelo presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ).
A CoronaVac vem sendo alvo de ataques de Bolsonaro. O imunizante contra a Covid-19 é desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo. O Ministério da Saúde havia anunciado a compra de 46 milhões de doses da vacina, o que foi prontamente desmentido por Bolsonaro, ao afirmar que o Brasil não seria “cobaia da vacina chinesa de Doria”.
Na segunda-feira (9), a Anvisa suspendeu os testes clínicos após um “evento adverso grave” registrado no dia 29 de outubro. A agência não disse qual foi o problema relatado, mas listou que entre possíveis “eventos graves” estão reações sérias, morte, anomalia e internações prolongadas.
A suspensão dos testes é uma prática comum para esclarecimentos quando um efeito adverso grave é detectado. Outros testes de vacinas contra o coronavírus, como a desenvolvida em parceria entre a Universidade de Oxford e o laboratório sueco Astrozeneca, também já passaram por breves interrupções por eventos similares e foram retomados.
O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, no entanto, afirmou tratar-se de um óbito sem qualquer relação com os testes do imunizante.
Após muita pressão, a Anvisa liberou, na manhã desta quarta-feira (11/11), a retomada dos testes da CoronaVac no Brasil.
Com PCdoB na Câmara