Diversas cidades do país correm o risco de ficar sem vacinas contra a Covid-19 já na semana que vem. Hoje (18), a falta de doses para iniciar novas rodadas de imunização está restrita a algumas regiões, mas os erros do governo Jair Bolsonaro no enfrentamento à pandemia já ameaçam a continuidade da vacinação.
“O problema é localizado, porém mais cidades ficarão sem vacina até esse sábado (20). Se não chegar nova remessa na semana que vem, a situação vai se tornar muito difícil”, diz o ex-prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), presidente da Federação Nacional dos Prefeitos (FNP), que reúne municípios com mais de 100 mil habitantes.
Na semana passada, a FNP divulgou um comunicado ao Ministério da Saúde em que cobrava metas e prazos de vacinação contra a Covid-19. Nesta quinta (18), a FNP se reuniu com o titular da pasta, o ministro Eduardo Pazuello, para tratar do assunto. Os prefeitos esperam a entrega, na próxima terça-feira (23), de novos lotes da Coronavac do Instituto Butantan.
Entre as capitais, Rio de Janeiro, Cuiabá e Salvador interromperam a vacinação contra a Covid-19. Dados estaduais mostram que mais de 80% das primeiras doses distribuídas já foram usadas também em Fortaleza, Teresina, Florianópolis e Campo Grande, além do Distrito Federal.
“Pedimos essa relação mais próxima com o ministério. Este não vai ser o último problema que enfrentaremos na vacinação”, diz Donizette. “É um país extenso, com uma população grande, e precisamos de um contato mais estreito para resolver mais rapidamente os problemas e até impedir que aconteçam.”
Ele rebate críticas de que alguns municípios não respeitaram o Programa Nacional de Imunizações (PNI) e, por isso, ficaram sem vacina. “Nos comprometemos a fazer a vacinação e estamos cumprindo. Houve problemas pontuais, mas a verdade é que falta vacina. A maioria dos municípios imunizou corretamente.”
Com a corrida global por imunizantes, a situação não é inesperada, afirma Wilames Freire, presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). “Vai ser o ano inteiro dessa forma. Chega uma quantidade, a gente vacina, espera a fábrica preparar mais”, diz. “Teremos que conviver com essa questão o ano inteiro. Para mim, não é surpresa nenhuma.”