Dando continuidade ao ciclo de debates virtuais, o PCdoB de Salvador realizou na tarde desta sexta-feira a segunda Live do projeto semanal que tem como objetivo debater e analisar os principais fatos do país. A atividade contou com a participação do Superintendente do Trabalho da Setre, Marcelo Gavião, e da coordenadora Regional do Dieese Bahia, Ana Georgina Dias, e teve como tema: Políticas públicas de emprego – Mulher e mercado de trabalho pós-pandemia.
Gavião lembrou da necessidade de discutir o tema para mudar a realidade de gênero no país. “Nós temos um Brasil com uma sociedade formada de aproximadamente 52% de mulheres e 48% de homens mas isso não é uma realidade no mercado de trabalho.”
E sinalizou ações para minimizar as desigualdades. “A gente, sobretudo no governo do estado, tem feito um esforço muito grande para criar políticas primeiro para reconhecer esse passivo histórico que se tem, depois, gestar políticas públicas que possam construir uma sociedade mais justa, mais igual.”
A coordenadora do Diesse falou dos vários aspectos negativos vividos pela mulher. “Embora sejamos maioria da população, maioria das pessoas de idade ativa e maioria na força de trabalho, também somos a maioria dentre os desempregados, a maioria entre os trabalhadores informais e a maioria daqueles trabalhadores e trabalhadoras que tem uma situação mais precária no mercado de trabalho”.
Ana apontou ainda os efeitos da pandemia no ambiente de trabalho. “Quando temos crises, sejam elas econômicas, políticas ou sanitária, os grupos mais vulneráveis são aqueles que primeiro sentem. No caso das mulheres, sobretudo as negras, o impacto é gigante. Muitas delas perderam renda e precisaram cortar gastos.”
Também ganhou destaque a expansão da carga horária e a sobrecarga de trabalho no home office. “Você perde o direito a desconexão e é sobrecarregada com os trabalhos domésticos porque culturalmente e historicamente a sociedade se organizou de uma forma onde os trabalhos relativos a reprodução da vida, não necessariamente a maternidade, falo de cuidados diários com a casa e família, na divisão sexual do trabalho ficou como uma atribuição feminina.”
A coordenadora do Dieese lembrou da falta de direitos sociais. “Só 57,6% das mulheres conseguem ter algum tipo de proteção social e isso é dramático, sobretudo quando a idade vai avançando. Em muitos casos isso acontece porque são elas que se afastam do trabalho para cuidar de filhos ou da casa.”, completou.
A live completa pode ser conferida na Fanpage e YouTube do PCdoB Salvador.