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Messias Gonzaga publica livro de memórias com homenagens ao PCdoB

26 maio, 2021

[caption id="attachment_79243" align="alignleft" width="169"] O livro de Messias Gonzaga[/caption]

 

“Não deixe de citar que inclui o partido nos agradecimentos do livro. Disse que o PCdoB foi a minha escola política, que me deu régua e compasso”. Esse foi um pedido feito por Messias Gonzaga, ex-vereador do PCdoB em Feira de Santana, no território Portal do Sertão da Bahia, que recentemente publicou o livro ‘Messias Gonzaga, um contador de histórias’. Ele foi entrevistado pela nossa equipe, em razão da chegada da obra que narra episódios da vida do autor e, consequentemente, explica a atuação dos comunistas no segundo maior município do estado.

Messias Gonzaga é bioquímico formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), mas foi fora dos laboratórios que construiu a sua carreira. Foi radialista, com passagem por importantes rádios, como a Sociedade da Bahia; gestor do Ministério da Saúde; chefe de gabinete dos mandatos da ex-vereadora e ex-deputada estadual Kelly Magalhães, de Barreiras; coordenador do Inema (Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do estado); diretor de Saúde em Camaçari; entre outros cargos.

Na Câmara de Vereadores de ‘Feira’, no entanto, foi onde o pernambucano de Serra Talhada passou a maior parte do tempo. Junto com um grupo de outros comunistas, ‘desceu’ de Salvador para o município, a fim de reconstruir o PCdoB local, na década de 1980. Trabalharam duro e conseguiram reestruturar a atuação partidária na cidade. Liderança respeitada e qualificada, Messias tornou-se um candidato natural do Partido ao Legislativo municipal. Ele teve dúvidas, mas foi convencido por figuras como Haroldo Lima e Péricles de Souza.

Uma vez eleito, Messias Gonzaga tomou muito gosto pela atividade legislativa. Teve uma atuação destacada, com reconhecimento até nacional. O resultado foi mais um, dois, três, quatro mandatos. No total, foram cinco. Hoje, ele não concorre mais a cargos eletivos, mas isso não significa abandonar a política e o Legislativo. No início do ano, Messias assumiu a Ouvidoria da Câmara de Feira de Santana, onde, inclusive, apresentou, pela primeira vez, o livro, na Tribuna Livre, criada por ele, nos tempos de vereança.

O trabalho não é uma autobiografia, garante o autor, mas um compilado de histórias vividas por um representante de uma geração de comunistas que entregou à Bahia uma das melhores e mais comprometidas safras de políticos. Para a nossa equipe, Messias falou sobre a obra e adiantou muitas das histórias. Separamos abaixo alguns dos principais trechos, mas os interessados em saber mais podem adquirir o livro, que custa R$ 40,00 e pode ser pago via Pix, fazendo contato com o próprio Messias, pelo telefone (75) 99199-2069.

 

O livro

Eu sempre imaginei que deveria escrever um livro. Na verdade, eu não sou um escritor. Eu me convenci de que eu sou um contador de histórias, tanto que o título do livro é exatamente este. Então, aproveitei a pandemia, pois fiquei em trabalho home office, e disse ‘vou escrever’. Comecei fazendo uma autobiografia, mas não me senti capaz de assim proceder. Então, comecei a imaginar como fazer. Resolvi contar histórias. O livro tem duas partes: começo contando a minha história pessoal, desde o nascimento até o meu nome Messias, conto casos reais da minha infância, no sertão pernambucano, em Serra Talhada, e, depois que encerro de 23 a 24 histórias dessa natureza mais pessoal, ai sim começo a parte política, sobre o Messias Gonzaga político. Eu começo falando do movimento estudantil em Salvador, do meu acesso ao PCdoB. Aliás, no livro eu faço uma homenagem especial ao PCdoB, ao meu único partido político.

 

Formato

O livro não é uma coletânea, não é um estudo aprofundado. Eu reconheço que o livro é ‘em passant’ (de modo superficial). É um documentário que eu considero importante porque a gente não pode perder a memória. Nós somos um país desaculturado, um país de um povo que não lê, que esquece, tem memória curta. Então, nós, comunistas, fazemos coisas importantíssimas, não só para nós, para o partido, mas fazemos coisas importantes para o País, para o mundo. Eu achei que deveria deixar esse registro, e a ideia do livro foi esta.

 

Histórias

Conto as histórias do movimento estudantil e passo para as histórias dos meus mandatos como vereador. Como foi que Haroldo Lima e Péricles de Souza vieram a Feira, em 1981, para me convencer a ser candidato a vereador. Conto os episódios da campanha, do resultado eleitoral e dos meus primeiros seis anos de mandato. Naquele período, fui eleito aqui na Câmara de Feira de Santana; Luiz Caetano em Camaçari; Haroldo Lima, uma pena que eu não posso dar um exemplar do livro para esta figura que tanto respeito e admiro, que é Haroldo Lima. Aliás, quando escrevi o livro ele estava vivo, então, eu lhe faço homenagens por fotografias e conto histórias do grande orador, do grande político Haroldo Lima. [Também foram eleitos] Ney Campelo, Jane Vasconcelos, Lídice da Mata, em Salvador, entre outros camaradas valiosos eleitos [vereadores] em vários municípios importantes. Depois vieram [os ex-vereadores] Daniel Almeida, Aladilce Souza. O PCdoB é um celeiro de grandes parlamentares. Tem também a nossa [deputada federal] Alice Portugal, guerreira como sempre, Davidson Magalhães, que foi um dos melhores vereadores de Itabuna. Mas não só os parlamentares, tem também os sindicalistas. O Partido também é um celeiro de combativos camaradas da luta sindical, na Bahia e no Brasil. Depois, vou contando sobre os mandatos, a minha reeleição, os problemas que vieram. Conto histórias engraçadas, outras nem tanto assim, que aconteceram durante o primeiro mandato, segundo, terceiro, quarto e quinto mandato. Conto histórias da vinda de Lula a Feira de Santana, na década de 1990. Conto episódios da época, então, as décadas de 80, 90 e começo de 2000 estão relatadas no livro.

 

Resultado

Eu me satisfiz pessoalmente em deixar as minhas memórias para que as pessoas possam avaliar. Reconheço que o livro não é completo, mas um livro que conta histórias sem aprofundar. São tantas outras histórias que precisam ser contadas, histórias do nosso Partido. Tudo o que fiz, naquele período, eu fiz inspirado, eu fiz com outros camaradas, como Julieta Palmeira, Jorge Wilton, Antônio do Carmo, Elisa Maria, Frederico Torres, pessoas que vieram comigo de Salvador, pra me ajudar a reconstruir o Partido em Feira, e eu conto isto no livro. Aqui também encontrei camaradas do pequenino partido que era. Contei como transformamos aquele pequenino partido em um grande partido, o maior partido de esquerda de Feira de Santana, um partido que foi referência na Bahia inteira. O nosso mandato teve repercussão nacional, e isso tudo está relatado no livro. Então, acho que tem importância, sim, fazer esse resgate.

 

Lançamento

O livro nem chegou a ser lançado, porque, quando trouxe um exemplar par ao presidente da Câmara, vereador Fernando Torres [PSD], e outro para o poder Legislativo, a ideia era de lançar o livro na Câmara Municipal, já que é um livro político e aqui foi o meu palco de ação. O Fernando disse, então “você vai para a Tribuna Livre da Câmara para divulgar o livro”. Tribuna Livre que, aliás, foi uma criação minha, no meu primeiro mandato. Achei oportuno, fiz o lançamento e foi um sucesso. Um lançamento, não, fiz uma apresentação. Os vereadores atenciosos, o público restrito na galeria, por conta da pandemia, mas a imprensa, que fez uma excelente cobertura, deu o testemunho como se fosse um lançamento, então, acabou prejudicando o lançamento em si. O livro já está sendo comercializado e o dinheiro arrecadado vai servir para imprimir novas edições para, assim, a gente ir espalhando as notícias daquele período para os novos comunistas saberem como foi aquele tempo, para o futuro entender e para que nós não nos percamos, pelo passar do tempo.

 

Reflexões

Realmente, reunir muitas memórias trouxe muitas reflexões, muitas lembranças. Quando escrevi o livro, chorei em alguns capítulos, ri muito em outros. Me fez muito bem escrever este livro. Eu espero ter dado uma contribuição à política, à boa política, que nós, do PCdoB, sabemos fazer, sempre fizemos e continuaremos fazendo. Então, é um orgulho para mim poder ter assento entre os comunistas da Bahia e do Brasil. Eu, que percorri o Brasil, em companhias inesquecíveis, como João Amazonas. Ele dizia: “você é o dono de Feira de Santana”. Dizia em tom de brincadeira, porque já estava com não sei quantos mandatos, sempre um dos mais votados nos pleitos. Renato Rabelo, tantas figuras de importância nacional, Haroldo Lima, os nossos deputados da Bahia, os nossos governadores do estado, outros políticos de renome, com os quais convivi. Aliás, a nossa geração é uma geração única. Eu acho que vai ser difícil se gerar uma geração política tão profícua, tão combativa, tão esclarecida como aquela geração a qual pertenço. Então, é muito orgulho para mim poder ter vivido esse tempo. Continuo vivendo esse tempo. Hoje não tenho mandato parlamentar, nem pretendo mais ter, mas continuo fazendo política. Política a gente nunca deixa de fazer. Continuo na luta. Acho que não vou alcançar o fim do capitalismo, essa velha e trágica sociedade. Não vou ver implantado nesta pátria o socialismo, a pátria da liberdade, pela qual sempre lutei, e o comunismo, mas deixei sementes plantadas, também junto com todos e todas as camaradas do Partido e de outras siglas também. Então, essa contribuição está dada, está relatada no livro ‘Messias Gonzaga, um contador de histórias’.

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