A deputada estadual Olívia Santana (PCdoB/BA) se manifestou sobre as condições de trabalho das empregadas domésticas durante a pandemia, depois que veio à tona o caso da cozinheira da cantora Ivete Sangalo. Durante a participação em uma live, o marido da artista, Daniel Cady, afirmou que a profissional fica em tempo integral com a família e que ela teria transmitido o coronavírus para todas as pessoas da casa, na volta de uma folga.
Para Olívia, a situação descrita por Cady revela a dura realidade das trabalhadoras domésticas brasileiras, que, pela sobrevivência, acabam cedendo a acordos exploratórios, como os que estão sendo registrados na pandemia. A deputada criticou, principalmente, o confinamento de trabalhadoras nas casas dos patrões, o que, para ela, representa um estado de escravidão.
“Com medo de se contaminar, muitas famílias estão exigindo que as trabalhadoras passem a dormir no seu local de trabalho, durante meses, sem direito a folga. [...] Confinar essas profissionais durante todo o tempo da pandemia nas casas dos patrões não pode ser uma opção. Quem faz isso está promovendo o estado de escravidão”, apontou Olívia.
A parlamentar comunista ainda defendeu que, quando o quadro da pandemia se agrava, o correto é que as trabalhadoras domésticas fiquem fora do ambiente do trabalho, em suas próprias casas, como ocorre com diversas categorias de trabalhadores e trabalhadoras. “Folga, jornada de trabalho definida, tratamento respeitoso e humanizado não é luxo. É direito!”, completou.
Na volta ao trabalho, as domésticas ainda precisam ter garantido o direito à segurança, a partir do acesso a máscaras, luvas e outros equipamentos que evitam a contaminação com o novo vírus, por exemplo, ainda de acordo com a deputada.
Dependência
Olívia Santana também criticou o fenômeno de dependência que a elite brasileira tem da servidão. “O Brasil é o país que mais tem trabalhadoras domésticas no mundo. Também é um dos maiores violadores de diretos. São 6 milhões de domésticas no país, a maioria mulheres negras, 70% sem registro em carteira. Segundo o DIEESE, na pandemia , 1,6 milhão de domésticas foram demitidas, até fevereiro. Destas, apenas 400 mil tinham carteira assinada. Um completo absurdo!”, finalizou.