A deputada estadual do PCdoB, Olívia Santana, participou de um debate sobre a presença de mulheres negras no universo acadêmico, na última quarta-feira (31/07), em Salvador. Na ocasião, Olívia defendeu a importância de enxergar a educação como um modo de mudar não só a realidade pessoal, mas, também, de combater a opressão que alcança a todo o coletivo de mulheres negras.
“Educação é poder, e nós queremos poder. Mas não queremos poder pelo poder. Nós queremos poder para descontruir aquilo que nos oprime. A gente tem que garantir que caminho reto garanta a passagem de outras tantas mulheres”, defendeu a deputada comunista, que é pedagoga por formação e já foi secretária municipal de Educação em Salvador.
O debate, promovido pela União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro) e realizado no Centro Cultural da Câmara de Vereadores, foi batizado de ‘Insurgências das Mulheres Negras na Academia: reinventando saberes, ressignificando olhares’. O evento, que também contou com apresentações artísticas, fechou a agenda de atividades do ‘Julho das Pretas’ na Bahia.
Participaram do encontro as pró-reitoras de Ações Afirmativas da UFBA e UNEB, Cássia Maciel e Amélia Maraux, respectivamente; a reitora Angelica Guimarães (UFSB); a secretária de Reparação de Salvador, Ivete Sacramento; a professora e vereadora da capital Aladice Souza (PCdoB); a gestora Daniele Costa (SPM); Ubiraci Matildes (Fórum Nac. Mulheres Negras); Josiane Clímaco (Assoc. Pesquisadores Negros); Sueli Conceição (Awá/RHOL); e Ebomi Nice, do Terreiro Casa Branca.
Segundo a presidenta nacional da Unegro, Ângela Guimarães, a atividade também foi uma oportunidade de celebrar a resistência e o sucesso de mulheres negras no excludente universo acadêmico. “Ousamos desafiar a ordem capitalista, racista e patriarcal vigente e nos mantemos de pé, conscientes, ousadas, orgulhosas, estudando, trabalhando, escrevendo, produzindo, enfrentando as barreiras visíveis e invisíveis”, disse.
Homenagem
A atividade da Unegro também homenageou a cientista e professora Joana D’Arc Félix, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que participaria do debate, mas que cancelou a participação por conta de um problema familiar. Segundo Ângela Guimarães, a homenagem foi uma forma de reconhecimento da trajetória e do trabalho de Joana que, recentemente, foi criticada por um erro no currículo.
Na avaliação a presidenta da Unegro, o que aconteceu com Joana D’Arc foi perseguição motivada por racismo. “Ela foi insultada por um jornal de grande circulação por um erro que encontraram no seu currículo. Mas outros personagens que também tiveram equívocos no currículo não foram tratados com o mesmo ódio racista, virulência e perversidade”.
A professora da Unicamp é considerada uma das dez maiores cientistas do Brasil, em volume de produção, com 108 prêmios nacionais e internacionais.