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PCdoB de Salvador debateu políticas públicas, cidadania e organização popular

16 junho, 2021

O cientista político e professor da Unilab, Cláudio André de Souza, e o doutor em planejamento urbano e regional e diretor da Conam, Fameb e da Fabs, João Pereira, foram os palestrantes convidados pelo PCdoB de Salvador para o quarto encontro do Ciclo de Debates - Conhecer Salvador para lutar melhor.

A atividade virtual, transmitida pela Plataforma Zoom, foi realizada na tarde desta terça-feira(15) e teve como tema: Políticas públicas, cidadania e organização popular.

O presidente do Comitê Municipal, Everaldo Augusto, abriu os debates lembrando que o modelo de gestão municipal beneficia apenas uma minoria e está na origem das disparidades. “Esse modelo que a cidade vem sendo governada já se esgotou há muito tempo e está na origem dos principais problemas, das desigualdades e do desemprego. E beneficia sempre uma minoria que desfruta de vários benefícios enquanto uma grande maioria não tem acesso a nada.”

A secretária de Movimentos Sociais e presidenta da Nacional da Unegro, Ângela Guimarães, mediou o debate, que contou ainda com a participação de militantes dirigentes comunistas, lideranças políticas e dos diversos movimentos sociais.

Em sua fala, Ângela falou da importância de aprofundar conhecimentos. “Esta atividade é importante para que a gente possa aprofundar o conhecimento e nos preparar para as batalhas e desafios de deslocar uma elite que vai renovando suas gerações no comando da cidade e aprofundando esse modelo desigual e profundamente racista, violenta e de cidade subdesenvolvida do ponto de vista econômico.”

Cidadania X luta popular
O doutor João Pereira sinalizou para as várias vertentes do conceito de cidadania. “Miltom Santos fala que existem várias cidadanias: alta, baixa e a não cidadania, que é a cidadania mutilada, que envolve as várias minorias que estão excluídas do debate político”.

Ele destacou ainda a luta dos movimentos sociais por direitos. “Nas cidades, a falta de política habitacional fez com que os movimentos sociais construíssem diversos bairros precarizados, sem infraestrutura, sem serviços públicos. No entanto, se não fosse essa inciativa essas minorias não teriam abrigo, condições de materializar vidas. O movimento social e popular, portanto, compreendeu a necessidade de pressionar o Estado a buscar respostas para seus problemas.”

Ainda segundo ele, as lutas populares garantiram políticas públicas importantes a partir da redemocratização do país. “O SUS não foi um ato de governo, foi construído pelo movimento popular. Foi uma articulação dos usuários e trabalhadores de saúde. Outros exemplos de políticas públicas conquistadas a partir da luta popular foi o Estatuto das Cidades, o Estatuto da Igualdade Racial, da Criança e do Adolescente, entre outros. E isso é muito positivo no sentido de apontar para um novo processo civilizatório."

Pesquisa
O professor Cláudio André apresentou dados de uma pesquisa coordenada por ele no período de 2018 a 2020 que avaliou o perfil dos protestos em Salvador.  Segundo ele, com base nos dados, o povo soteropolitano vai à luta por direitos. “Conseguimos colher 252 protestos em cerca de 700 dias. Ou seja, um protesto a cada quatro dias. Isso significa que a gente tem uma cidade que se mobiliza, que tem agenda, que fala, tenta estabelecer uma voz.”

Entre eles, 23 protestos tinham relação com vítimas de violência; 56 foram protestos difusos e 108 eram de trabalhadores. “Nós temos de fato grupos, do ponto de vista da sociabilidade, que se organizam e apresentam demandas na esfera pública.”

Cláudio apresentou propostas para conter o avanço das forças regressivas que dominam o mercado e contrariam os interesses dos menos favorecidos. “Na correlação de forças, a análise preliminar é que a gente precisa ter um mergulho mais qualitativo de acúmulo político. É o momento de repensar o que é a cidade e nadar contra interesses constituídos do ponto de vista do capital, que vão chegando e dominando a cidade”. E completou. “A sociedade civil tem voz, ela que falar e ela precisa enxergar novos campos de luta e de organização política no dia a dia”.

Planejamento a partir de dois eixos
O Ciclo de Debates faz parte do planejamento do partido e foi dividido em dois eixos, um mais teórico sobre a cidade e outro mais organizativo. O primeiro eixo resultará em uma proposta a ser transformada em ações concretas no município. Já o segundo, vai discutir questões internas como: funcionamento, construção partidária, relação das frentes políticas com os objetivos mais gerais do partido, e vai envolver todos os distritais, organismos de base, organizações e frentes de luta ligadas ao partido em Salvador.

Agenda:
O último encontro vai acontecer no dia 29/06, às 17h,  e vai tratar de políticas estruturantes para juventude, mulheres, trabalhadoras e trabalhadores.

 

 

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