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Proposta por Augusto, sessão na Câmara de Salvador exalta o Maio Baiano

20 maio, 2021

A Câmara Municipal de Salvador (CMS) realizou, na manhã desta quinta-feira (20/05), uma sessão especial em memória do Maio Baiano, movimento de rua que pedia a cassação do ex-senador Antônio Carlos Magalhães, pela participação no esquema de violação do painel eletrônico de votação do Senado, em 2001. A atividade celebrou os 20 anos do evento histórico, que contou com três principais manifestações na capital baiana, sendo a segunda, no dia 16 de maio, reprimida violentamente pela polícia militar.

Proposta pelo vereador Augusto Vasconcelos (PCdoB), que também integrou o movimento, a sessão reuniu diversos atores que participaram das lutas do Maio Baiano, entre lideranças estudantis, partidárias e dos movimentos social e sindical. Segundo o edil, os protestos, especialmente o de 16 de maio, precisam ser lembrados porque representam um período em que a Bahia era marcada pelo autoritarismo e pela violência.

“O movimento foi desproporcionalmente reprimido [pela polícia, a mando dos carlistas], deixando pessoas com problemas de audição e psicológico, por exemplo. Naquele mesmo ano de 2001, fui preso por segurar uma faixa que pedia mais recursos para a educação, em uma manifestação em Jequié. A Bahia precisa se lembrar [daquele período dominado pelos carlistas] para que nunca mais se repita”, afirmou o vereador do PCdoB.

A deputada federal Alice Portugal (PCdoB/BA), que era deputada estadual na época e participou dos atos, explicou que os movimentos contra o carlismo eram, também, uma luta para enterrar, de vez, a ditadura militar no país. “[O Maio Baiano] Foi a união de todos para a liberdade de um estado, que sofria há anos com o autoritarismo. ACM era um coronel das antigas, opressor da Bahia”, disse.

Olívia Santana, deputada estadual que estava à frente da União de Negros e Negras pela Igualdade (Unegro) no período, destacou a brutalidade da repressão ao 16 de maio, o que a obrigou a atuar como socorrista de feridos. “Participei do ato como militante e terminei como socorrista. Quando entrei numa sala da Faculdade de Direito, estava um estudante ensanguentando. Levei o menino para uma clínica para a Graça”, contou.

Unidade

Lideranças estudantis na época, Weslen Moreira, Daniele Costa e Ângela Guimarães exaltaram o papel dos estudantes, que iniciaram as mobilizações e se alinharam a outras forças da luta popular, para dar unidade aos atos. “O Maio Baiano tem um conjunto de importâncias, e uma das principais delas é que mostrou o poder de mobilização das organizações e ratificou a força do povo nas ruas”, disse Weslen, hoje professor, advogado e dirigente sindical.

Para Daniele Costa, o movimento foi uma construção ‘bastante coletiva’. “Começamos nas assembleias de curso. Realizamos muitas assembleias em São Lázaro [campus da UFBA]. Nós decidimos ir até a frente da casa de ACM para dizer que íamos derrubar o último coronel do Nordeste. Isso ganhou uma repercussão nacional, porque ACM dizia que a Bahia era dele”, acrescentou.

O Maio Baiano contou também com um papel fundamental do Sindicato dos Bancários, presidido no período por Álvaro Gomes, e pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), presidida por Everaldo Augusto, que estiveram na sessão. O cinegrafista do Sindicato dos Bancários, Rogério Almeida, foi homenageado na atividade, junto com outros profissionais da comunicação, porque os registros dos protestos feitos por eles foram responsáveis por dar uma visibilidade nacional para as manifestações.

Também fizeram parte da sessão o ex-presidente da UNE, Javier Alfaya; o ex-presidente da UBES, Marcelo Gavião; a presidenta da UJS-BA, Marianna Dias; a presidenta da UEB, Layane Cotrim; a deputada federal Lídice da Mata (PSB/BA); a vereadora Marta Rodrigues (PT/Salvador); entre outros.

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