

A União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro), o Movimento Negro Unificado (MNU) e a Torcida Antifascista Democracia Tricolor foram às ruas de Salvador, na tarde da última sexta-feira (11/12), para pedir justiça por Davi Pereira, jovem negro que foi brutalmente executado pela Polícia Militar do Estado (PM-BA), no domingo (06), no município de São Félix, no Recôncavo baiano. Familiares da vítima também participaram do protesto na capital baiana.
As entidades que organizaram o ato apontam o racismo como motivador da execução do jovem negro. Por isso mesmo, o protesto cobrou do governador Rui Costa e do secretário estadual de Segurança Pública, Maurício Barbosa, “uma investigação justa e que não culpe apenas o policial que atirou”, de modo que seja possível repensar o modelo de segurança pública implementado na Bahia.
Segundo as lideranças do movimento negro, as práticas de execução sumária, que se tornaram corriqueiras, são tratadas como casos isolados. Eldon Neves, presidente estadual da Unegro, explica que o modelo de segurança pública vigente só potencializa o genocídio e o encarceramento da juventude negra, “nos tratando como inimigos e corpos matáveis, descartáveis, justificado pela odiosa política de guerra às drogas que na prática se materializa uma guerra à população negra”.
Eldon denuncia ainda que, ano após ano, o movimento negro tem ficado sem respostas quando cobra explicações dos poderes públicos sobre as operações policiais que resultam em mortes de pessoas negras.
Vinicius Oliveira, representante da Democracia Tricolor, contou que, durante a manifestação, conversou com alguns policiais e foi questionado sobre uma falta de atos nos casos de morte de profissionais de segurança, mas rebateu que o movimento negro não faz distinção. “Em pesquisa descobri que a cada cinco policiais mortos, quatro são negros e a conclusão é que independentemente do lado da pistola em que o negro se encontra, na mira ou atrás dela, ele é a maior vítima”, disse.
Davi, que tinha apenas 23 anos, era cabelereiro e estava indo para casa com um amigo, quando foi abordado e executado por policiais militares, sem chance de defesa. Com o homicídio, Davi aumenta as estatísticas que revelam a execução de um jovem negro a cada 23 minutos no Brasil.