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Salvador recebe 3ª mesa do Ciclo de Debates do 16º Congresso do PCdoB e reforça urgência de um projeto nacional para além de 2026

12 agosto, 2025

Em uma noite de casa cheia no Cine Glauber Rocha, na Praça Castro Alves, Salvador se tornou, nesta segunda-feira (11), o centro das reflexões estratégicas para o futuro do Brasil. A capital baiana sediou a 3ª mesa do Ciclo de Debates do 16º Congresso do PCdoB, promovido pela Fundação Maurício Grabois Bahia, reunindo centenas de militantes, dirigentes e intelectuais para discutir “Mudanças estruturais no Brasil do século XXI – Base social e política para o desenvolvimento soberano”.

Com mediação da deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA), o debate contou com a presença de José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras; Diogo Santos, economista; Aloisio Barroso, médico, dirigente do PCdoB e diretor de Estudos e Pesquisas da Fundação Maurício Grabois; e Adalberto Monteiro, secretário nacional de Formação e Propaganda do partido. O encontro teve como objetivo aprofundar as Propostas de Resolução que serão debatidas no Congresso Nacional do PCdoB, marcado para outubro.

Soberania nacional e papel do Estado

Ao longo da mesa, os palestrantes convergiram sobre a urgência de um projeto nacional liderado pela classe trabalhadora, capaz de romper com a dependência econômica e a dominação do capital financeiro. Gabrielli destacou que a burguesia nacional perdeu, desde meados do século XX, o compromisso com a industrialização e a soberania, integrando-se ao circuito financeiro globalizado. Para ele, recuperar o protagonismo do Estado em setores estratégicos é condição indispensável para o desenvolvimento.

Aloisio Barroso reforçou que soberania significa controlar câmbio, política monetária e conta de capitais. “Sem isso, permanecemos reféns do mercado financeiro internacional”, alertou. Já Diogo Santos sublinhou que a democratização do Estado deve estar diretamente conectada às demandas populares, como saúde, mobilidade e saneamento.

Enfrentando a financeirização

A financeirização foi apontada como entrave central ao progresso nacional. Adalberto Monteiro classificou como “montanhas” obstáculos como a autonomia do Banco Central e o teto de gastos, que impedem o crescimento econômico e aprofundam desigualdades. Ele lembrou que crises políticas e retrocessos — da ditadura militar ao golpe de 2016 — interromperam avanços estruturais.

Barroso e Santos também enfatizaram a necessidade de reformar o sistema financeiro, combatendo a lógica especulativa e recuperando instrumentos de planejamento econômico hoje submetidos a interesses privados e internacionais.

Protagonismo da classe trabalhadora

Para os debatedores, o protagonismo popular é peça-chave para alterar a correlação de forças. Monteiro afirmou que a burguesia perdeu a capacidade de liderar um projeto nacional e que cabe à classe trabalhadora, articulada com setores progressistas, assumir essa tarefa. Gabrielli apontou que a nova composição da classe trabalhadora — hoje concentrada em áreas como educação, saúde e segurança — exige investimentos em ciência e tecnologia.

Alice Portugal reforçou a importância de pautas concretas, como o fim da jornada 6×1, para mobilizar e engajar a população.

Desafios até 2026 e além

Com as eleições de 2026 no horizonte, os palestrantes defenderam que a vitória eleitoral não é suficiente: é preciso garantir mudanças estruturais de longo prazo. Monteiro destacou a necessidade de amplas alianças com forças populares e progressistas, enquanto Gabrielli alertou para manobras políticas e econômicas que tentam enfraquecer o governo.

Santos apontou que fortalecer relações com o Sul Global, especialmente com a China, é estratégico para a soberania brasileira e para a reconstrução do papel do Estado.

Salvador no centro do debate nacional

O encontro na capital baiana reforçou o papel da Bahia como espaço de formulação política e articulação militante. Para Everaldo Augusto, presidente da Fundação Maurício Grabois Bahia e coordenador da mesa, “a conjuntura de acirrada disputa contra a extrema direita e os impasses econômicos dão maior importância a este ciclo de debates”.

A atividade integra um ciclo nacional que já passou por São Paulo e Rio de Janeiro, e que seguirá para Porto Alegre e Recife, sempre com transmissão ao vivo pela TV Grabois. Em Salvador, ficou evidente que a luta por um projeto nacional soberano, democrático e inclusivo precisa unir mobilização popular imediata e visão estratégica de longo prazo para recolocar o Brasil no caminho da independência e da justiça social.

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