A União de Negros pela Igualdade (Unegro), uma das mais importantes e respeitadas entidades do movimento negro brasileiro, completou, no último dia 14 de julho, 30 anos de fundação (1988-2018). Para marcar a data, militantes e apoiadores da Bahia, estado de nascimento da Unegro, reúnem uma série de atividades de celebração do aniversário e de reflexão sobre a atuação na luta antirracista no Brasil, ao longo das três décadas.
A primeira atividade aconteceu no último 2 de Julho, quando se comemora a Independência da Bahia, com a realização do tradicional Caruru da Unegro. A próxima será o ‘Caldeirão Cultural’, no sábado (28/07) e no domingo (28), em Salvador, com discussões sobre o tema “30 anos da UNEGRO: Rebelando-se contra o racismo e toda forma de opressão” e intervenções culturais.
O debate de abertura, no primeiro dia, a partir das 8h40, no Sindicato dos Comerciários, em Nazaré, será feito pela ex-presidenta nacional da entidade, Olívia Santana, e por Sandra Bispo, Ìyá Kekère da Casa de Oxumarê. Ainda no sábado, mas à tarde, a partir das 15h40, haverá uma homenagem à Unegro durante o aniversário de Tikão, dirigente estadual, no Instituto dos Arquitetos da Bahia (Ladeira da Praça, 152 - Centro).
À noite, a partir das 18h, acontece o deslocamento dos participantes do encontro, de diversos municípios da Bahia, para o alojamento, no Centro de Treinamento da SDR (Av. Dorival Caymmi, s/n - Itapuã), onde vai acontecer uma confraternização. No domingo pela manhã, será realizada a plenária estadual da Unegro, com discussões do plenário e encaminhamentos das deliberações.
Outras atividades
A programação de aniversário será retomada na terça-feira (31/07), com a realização de uma Missa de Ação de Graças pelos 30 anos da entidade, celebrada pelo padre Lázaro Muniz, na Igreja do Rosário dos Pretos (Pelourinho), símbolo da resistência da população negra na capital, a partir das 17h30.
No dia 8 de agosto (quarta-feira), a Unegro será homenageada durante uma sessão especial na Câmara de Vereadores de Salvador, a partir das 18h. A sessão será presidida pelo vereador Silvio Humberto (PSB).
Avanços e desafios
Dos 30 anos da Unegro, Sirlene Assis está na entidade há 12. Filiou-se em 2006, chegou à secretária de Juventude em 2011 e à presidência estadual em 2014. Está no segundo mandato e, sobre esse tempo de militância no movimento negro, avalia que há muitas conquistas a se comemorar, mas, por outro lado, ainda há muita luta a ser travada contra o racismo e as suas diversas faces.
“Nestes 30 anos, a juventude continua morrendo. A morte de mulheres negras aumenta e a de brancas diminui. A grande massa está desempregada e há poucos negros nos espaços de poder. Conseguimos cotas nas universidades e nos concursos, mas há fraudes. Há o racismo religioso. Nós conseguimos avançar, mas ainda há muitas lutas pela frente”, avaliou a presidenta estadual.
Sirlene explica que um dos desafios, inclusive, está na ordem do dia: o combate às tentativas de impedir a presença dos animais nos cultos das religiões de matriz africana, pauta que está sendo discutida no Supremo Tribunal Federal (STF), em um debate sobre a constitucionalidade do sacrifício animal. Para ela, é mais um evidente sinal do racismo religioso no País.
Ela lembrou que sacrificar animais é elemento comum da cultura brasileira, podendo se identificar nos hábitos alimentares do povo e até nas práticas de religiões de origem não-africana, mas que apenas as religiões afrodescendentes são questionadas. “O Brasil é um grande exportador de carnes, mas ninguém fala disso”, defendeu.
Uma reportagem sobre a história da Unegro foi produzida pelo PCdoB-Bahia no aniversário dos 27 anos, em 2015. Leia a íntegra da matéria no link:
https://www.pcdobba.org.br/aos-27-anos-unegro-comemora-vitorias-e-aponta-os-novos-desafios/