Às vésperas das eleições presidenciais, estudantes e universidades de todo o Brasil estão revivendo momentos de repressão e censura que remetem aos tempos da Ditadura Militar. Em nota emitida na noite desta quinta-feira (25), a Coordenação da Campanha Nacional pelo Direito à Educação “lamenta e repudia as decisões da Justiça Eleitoral que tentam censurar a liberdade de expressão de membros de comunidades acadêmicas, ferindo seus direitos civis e políticos, bem como o princípio constitucional da autonomia universitária”.
A nota foi lançada na mesma noite em que Maria Aparecida da Costa Barros, juíza do Tribunal Regional do Rio de Janeiro, ameaçou de prisão o diretor da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF), Wilson Madeira Filho, pela colocação de uma faixa na entrada do prédio, com os dizeres: “Direito UFF Antifascista”. Em lugar da faixa, estudantes ergueram uma outra, onde se lê: censurado.
O desencadeamento de ações judiciais e do cumprimento das decisões pela polícia invadiu os campi de universidades em todo o Brasil. Em sua maioria, as decisões julgam atos em defesa da democracia como suposta propaganda eleitoral.
No caso da UFF, a decisão judicial, proferida após 12 denúncias recebidas contra a faixa, diz que ela teria “conteúdo de propaganda eleitoral negativa contra o candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro [PSL]”.
Professor da Universidade de São Paulo, o filósofo Pablo Ortellado está listando em uma publicação na sua página no Facebook as ações simultâneas realizadas nas universidades. Até está quinta-feira (25) já eram 28.
Os relatos recebidos são de ações nas seguintes universidades: UFGD (Dourados), UEPA (Iguarapé-Açu), UFCG (Campina Grande), UFF (Niterói), UEPB, UFMG, Unilab (Palmares), SEPE-RJ, Unilab-Fortaleza, UNEB (Serrinha), UFU (Uberlandia), UFG, UFRGS, UCP (Petropolis), UFSJ, UERJ, UFERSA, UFAM, UFFS, UFRJ, IFB, Unila, UniRio, Unifap, UEMG (Ituiutaba), UFAL, IFCE, UFPB.