Povo volta às ruas de Salvador contra o governo Bolsonaro  

 

Mais de 40 mil pessoas foram às ruas de Salvador para, mais uma vez, protestar contra as pautas do governo do presidente Jair Bolsonaro, que são consideradas antipovo. Em uma passeata na manhã desta terça-feira (13/08), pelas ruas do centro da capital baiana, a multidão criticou, principalmente, os ataques do novo governo à educação, previdência, democracia e soberania nacional.  

As críticas ao programa “Future-se”, que, entre outras questões, pretende abrir as universidades para o capital privado, e aos cortes orçamentários nas universidades federais, pelo Ministério da Educação, ganharam destaque na passeata. Para Natan Ferreira, diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE), o que está em xeque é o acesso do povo à educação pública, gratuita e de qualidade. 

“Nós queremos uma universidade popular, porque acreditamos que a educação é, sim, o setor que pode mudar o rumo do nosso país. É por isso que estamos nas ruas, contra Bolsonaro”, disse Natan, que também já esteve à frente da União dos Estudantes da Bahia, a UEB. Na UNE, ele é o direitor de Combate ao Racismo.  

A deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA), que é servidora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), defendeu que o objetivo de Bolsonaro é retomar um período em que as instituições federais estavam a serviço da elite. “O tal do ‘Future-se’ é, na verdade, um grande ‘Vire-se’. Eles querem que a universidade sejam grandes consultorias privadas, que façam análises de urina de cavalos do Jóquei Clube pra ganhar dinheiro”, disse. 

A deputada estadual Olívia Santana (PCdoB), que é pedagoga e já foi secretária municipal de Educação em Salvador, também esteve no ato e fez coro às críticas. Para ela, os cortes no orçamento das universidades são uma estratégia do governo, que visa “matar por inanição as instituições para justificar a privatização” e, assim, limitar o acesso.  

“[Nesta manifestação,] Nós defendemos é mais democratização das universidades, para que os filhos e filhas do povo tenham acesso, e não esse projeto de privatização, que tira autonomia universitária e que corta investimentos”, disse Olivia Santana.  

Na ocasião, a vereadora Aladilce Souza, também do PCdoB, lembrou que Bolsonaro consegue aprovar as ações porque tem apoiadores, como o prefeito de Salvador, ACM Neto, também presidente do Democratas (DEM). Para ela, ACM Neto é o Bolsonaro da Bahia, porque “apoia todas as medidas contra o povo, como as reformas trabalhista e da previdência, bem como os ataques ao ensino público. 

Amplitude 

O 13 de agosto foi definido pela Frente Brasil Popular (FBP), em parceria com as centrais sindicais, como o Dia Nacional de Greves e Paralisações, que tem na agenda diversas atividades em todo o país. Segundo o presidente estadual da CTB (Central dos Trabalhadores Trabalhadoras do Brasil), Pascoal Carneiro, o movimento é marcado pela amplitude e é, no final das contas, uma defesa da democracia.  

É um dia de dar um ‘não’ a Bolsonaro. Um não à política de salário mínimo, de aposentadoria, de educação. Um não à política externa, porque esse cara [o presidente] é inimigo do Brasil. É por isso que os brasileiros estão nas ruas hoje”, afirmou o presidente da CTB-BA.  

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